terça-feira, 21 de setembro de 2010

Só as mães são felizes?

Quem aí já perdeu o filho, mesmo que por alguns minutos, em um local público?
Eu já havia passado por isso quando a AC tinha menos de 2 anos.
Ela estava passando por baixo das araras de roupas de uma loja com meu irmão, quando em uma dessas ele apareceu sozinho.
Imediatamente saímos correndo procurando por ela.
A minha primeira reação foi correr pra porta, assim, nem que eu ficasse ali até as 10 da noite, ninguém sairia com ela. Mas quando eu estava correndo em direção a porta, enxergo aquele "coqueirinho" correndo por entre as roupas.
Peguei, falei bem séria com ela, e fomos embora. Ela queria descer pra olhar as coisas, caminhar pelo shopping, mas não deixei. Ela foi no colo, chorando, até o carro e ficou de cara amarrada um bom tempo comigo.
Sem sentimento de culpa nem ressentimentos. Fiz o que achei certo pra educá-la na hora.
Mas ontem foi beeem diferente...
Fomos almoçar no acampamento farroupilha de Esteio, que fica no parque de exposições Assis Brasil (onde é realizada todos os anos a Expointer).
Terminado o almoço, AC me pediu um negrinho (ou brigadeiro, como preferirem) e saímos pra buscar.
No meio do caminho ela trocou de idéia e resolveu pedir um churros. Comprei o churros, depois ela pediu um catavento.
Parei na barraquinha que estava vendendo cataventos e fiquei olhando umas bijuterias com minha mãe. AC estava ao lado, segurando minha perna.
Em um segundo de distração, quando saí da barraquinha, não encontrei a criança.
Não sei explicar aqui a sensação que tive.
Naquele momento, eu tinha a mais absoluta certeza de que tinham roubado a AC.
Comecei a chorar, gritar por ela e correr feito uma maluca atacando todas as pessoas no caminho perguntando se alguém tinha visto uma menininha com as características dela.
Todas as pessoas que viram meu desespero, pararam imediatamente o que estava fazendo e saíram em busca da AC também.
Comecei a chamar por um policial, pois na minha cabeça alguém tinha pego a AC e eu queria que um policial fosse até o portão de saída pra impedir que alguém tentasse sair com ela (o que é inútil, pois o parque é imenso e tem várias saídas... fora que, se é alguém mal-intencionado, pode pular um muro, se esconder num mato...). Uma senhora me pegou pelos ombros e me guiou até o palco pra pedirmos ajuda no microfone.
Quando estávamos chegando no palco, ouvi um "´tá ali!", e vi uma moça pegando a AC no colo e correndo na minha direção.
Me abracei nela e chorava tanto que não conseguia nem responder as pessoas que falavam comigo.
Minha mãe veio correndo, chorando também.
A única coisa que eu conseguia pensar era em ir pra casa.
Ela voltou ao piquete onde tínhamos almoçado pra buscar mais suco. Na cabecinha dela, ela não fez nada de errado.
Sempre critiquei as mães que perdem crianças tão pequenas e perder a minha, do contrário do que possa parecer, não me fez mudar de opinião. Continuo criticando!!!!
Não adianta vir com o papo de que isso acontece, que as crianças nos cegam, que pode acontecer com qualquer um...
Eu não tinha o direito de me distrair, de ficar olhando porcarias ou invés de prestar atenção nela.
Quando quero comprar algo pra mim, quando preciso sair pra fazer algo específico, procuro nem levá-la. Sempre defendi que programa com criança é pra fazer coisas pra criança. Sempre defendi que criança não tem obrigação de bater perna em shopping olhando vitrines com os adultos. Sempre segui isso a risca e quando saio sozinha com ela, geralmente paramos apenas pra ver vitrines de brinquedos ou roupas pra ela...
E de repente, me vejo mordendo a língua dessa maneira...
Em resumo: estou até agora trêmula, com muita dor de cabeça e com a sensação de ser a pior mãe do mundo...

Essa postagem tb está aqui!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Explicações Técnicas

Hoje, estava na cozinha envolvida em meus afazeres domésticos diários e a AC vem ao meu encontro com voz chorosa, reclamando alguma coisa.
Pedi que ela falasse mais devagar.

Eis que surge o seguinte diálogo:
AC: "Mãe, o pai tilou o micofone de mim."
Eu: "Se ele tirou deve ter um motivo filha. O que acontecceu?"
Eis que me marido grita de outro cômodo da casa: "O microfone tá quebrado, tirei dela pra que ela não se machuque..."
Eu: "Viu filha, o pai tirou o microfone pra não te machucar, ele quebrou."
AC: "Mas mãe, eu gosto tanto daquele micofone. Eu quelo blincá com ele. Poquê o pai tilô ele de mim?"
Eu: "Filha, o papai tirou o microfone porque te ama e não quer que tu te machuque."
AC: "Poquê mãe?"
Eu: "As vezes os papais e as mamães fazem coisas que podem parecer ruins, mas eles fazem por amor. Tirar um brinquedo quebrado da tua mãozinha, pode parecer ruim, mas é uma coisa boa, pois evita que tu te machuque... Papai fez isso pq te ama, entendeu?"

AC saiu com uma carinha de quem não estava completamente convencida e foi procurar o outro microfone na gaveta e logo acabou brincando com outra coisa e esqueceu o motivo do chorôrô.

Mas vi que meu marido ficou rindo e fiquei pensando que talvez eu tivesse sido "técnica demais" na minha explicação.

Não costumo ignorar a inteligência dela. Sempre acho que ela tem condições de compreender qualquer coisa que se explique com calma (claro que estou excluindo da lista coisas tipo... sei lá... física quântica!) e é isso que sempre tento fazer: explicar tudo da maneira mais didática possível para que ela tenha um real entendimento do que está acontecendo.

Será que estou exagerando??

Ai! Como é difícil!!!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A hora das compras

Se tem uma coisa que eu sempre tive verdadeiro pavor, é daquelas crianças que ficam dando show dentro do mercado, pedindo tudo que enxergam pela frente.

AC sempre foi no shopping e no mercado comigo e com o pai, e é claro que sempre acabamos comprando alguma coisinha ou outra pra ela (uma bolachinha, um chocolatinho, um livrinho, alguma coisa escolhida por ela...). Mas sempre tomando cuidado pra não comprar nada "extravagante" sem ter real necessidade e sem ter um motivo/data especial.

Hoje, com a AC um pouco maior, evito ir a esses lugares com ela, quando vou fazer coisas apenas pra mim. Se vou comprar roupas pra mim ou pagar contas, prefiro não levá-la. Acho que shopping não é lugar pra criança e que ela não tem obrigação de me acompanhar no ritmo chato das lojas.

Quando vou com ela, vou fazer um programa PRA ELA. Vamos fazer um lanche, vamos olhar coisinhas pra ela, vamos correr, olhar vitrines de brinquedos. Ela adora e eu não fico me sentindo uma carrasca!

Claro que as vezes ela resolve pedir algo que sabe que não vai ganhar, e fica me testando até o limite! Uma coisa que ela sempre vê e pede são aqueles balões de gás hélio. Ela tem verdadeira adoração por aquilo, mas sabe que só vai ganhar o balão se não chorar e se não tiver escolhido alguma outra coisa.

As vezes ela entende e em outras, finge não entender... dia desses ela me pediu uma bonequinha com um chaveirinho. Dei, deixando claro que seria só aquilo e que não adiantaria pedir mais nada.
Logo depois, ela viu aqueles malditos balões e veio pedir. Conversei com ela, disse que ela já tinha ganhado da bonequinha e que não ganharia, portanto, o balão.

Bom, lá veio ela com toda a sua lábia, tentando me convencer que precisava do balão, que era uma boneca que estava em casa que queria brincar com o balão... no desespero, quando viu que eu não iria ceder, teve a brilhante idéia de sugerir que voltássemos na loja e devolvêssemos a bonequinha... é mole??

Com o coração na mão, não dei o braço a torcer!
Ela reclamou um pouco, ficou emburrada, mas acabou voltando pra casa com a bonequinha e não tocou mais no assunto.

Mas o que me levou a escrever essa postagem, foi uma coisinha pequena que aconteceu ontem no mercadinho próximo da minha casa.

Fomos até lá buscas ingredientes pra fazer o jantar, quando ela pegou um pacote de salgadinhos e veio direto na minha direção, perguntando: "Mãe, eu posso levá esse sagadinho?"

As pessoas que estavam próximas soltaram um sincronizado "wwwoooohhhhh" coletivo, e a moça do caixa disse: "Que coisa querida! Pedindo assim não tem como negar! Geralmente as crinças já pedem berrando e quando não ganham saem fazendo um escândalo maior ainda..."

Saí do mercadinho com o salgadinho na sacola e com o peito estufado de orgulho!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

E quem entende de xixi??

Bem, AC desfraldou!!!

Confesso que imaginei que ela entraria na própria festa de aniversário de 15 anos usando fraldas. Sempre que tocávamos no assunto com ela, de uma maneira ou de outra, desconversava.
Disse que deixaria de usar fraldas no aniversário de 3 anos do Biel (filho de uma amiga que fez 1 ano agora em maio...).
Comecei a ver os filhos das minhas amigas, mais novos que a AC, desfraldando, e ela nada...
O assunto sempre me deixou preocupada, devido a grande falta de interesse dela. Mas fiz o que os livros de psicologia e minhas amigas mais experiêntes indicam e simplesmente esperei pelo tempo dela.
E esse tempo chegou!!!!
O desfralde foi bem mais tranquilo do que eu imaginava. Um belo dia ela simplesmente disse que era moça e que não faria mais xixi nas fraldas, e sim no banheiro.


Mas agora precisamos fazer uma exame de urina.
Conversei com a AC e disse que ela precisaria fazer xixi em um potinho.
Ela ficou muito empolgada, perguntando a toda hora quando deveria fazer o tão esperado "xixi no potinho".

Até que, uma noite antes do exame, conversando com ela no banheiro, surgiu o seguinte diálogo:


Eu: "Filha, amanhã tu vais fazer xixi no potinho!"

AC: "Obaaaaa... Mas mãe, poque eu tenho que fazê xixi no potinho?"

Eu: "Por que a gente vai levar o teu xixi pra fazer exame."

AC: "Mas o que é exame mãe?"

Eu: "Exame é quando a gente leva o xixi pra um Dr. olhar."

AC: "Mas a gente vai leva o meu xixi po Dotô Pedo mãe?" (Dr. Pedro = pediatra dela)

Eu: "Não filha, vamos levar pra outro doutor."

AC: "Mas mãe, não foi o Dotô Pedo que pediu pla vê o xixi?"

Eu: "Sim filha, foi ele."

Pausa de alguns segundos...

AC: "Mãe, intão a gente faiz assim. Vamu lááááá no Dotô Pedo, daí eu faço xixi no banhelo dele, e ele olha eu fazendo xixi... e daí ele olha o meu xixi... e daí deu!"

Eu: "Mas não é o Dr. Pedro que vai olhar teu xixi filha, é outro Dr..."

AC: "Poquê não pode se ele?"

Pensei o mais rápido que pude e falando baixinho, como se fosse segredo, respondi: "Por que ele não entende nada de xixi filha!"

E ela, com a mãozinha na boca pra encobrir o risinho, disse: "Ah tá... hihihi"


É xixi na fralda, é xixi no banheiro, é xixi que escapa na calcinha, é xixi no potinho... realmente esse lance de xixi é bem complicado mesmo...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Aviso aos navegantes!

Este blog será reativado.
Aguardem...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Teimoso é quem teima comigo

Uma coisa que qualquer criança pequena sabe fazer com maestria é teimar!
Claro que entendo que eles estão explorando o mundo e nossos limites, mas justamente por isso precisamos aproveitar a oportunidade para mais uma vez demonstrar o que deve ser considerado certo ou errado.

Ana Clara está em uma fase onde a teimosia é regra! Ela me testa de todas as formas e tenta sair vitoriosa de todas as situações diárias onde acontecem essas pequenas "guerras".

A primeira teimosia...
Já tem algum tempo desde a primeira situação onde a Ana Clara colocou as garrinhas de fora e deliberadamente me desobedeceu.
Eu estava passando roupas e ela brincando com um ferrinho de brinquedo. Dei a ela algumas roupas amassadas que ela poderia brincar e deixei claro que ela não poderia retirar do lugar as roupas que eu já havia passado.
Ela estava brincando perto de mim, me cuidando "com o rabo do olho", até que, mais rápida que um gato em fuga, ela pegou uma das peças de roupa que eu disse que não poderia pegar, saiu correndo e atirou no chão da sala!!!
Confesso que me assustei muito! Ela nunca havia feito nada parecido com isso!!!

Lá fui eu, com toda a paciência do mundo...
Me abaixei, segurei seus bracinhos e disse que ela não poderia ter feito isso, que a mamãe já tinha dito pra não fazer. E que agora ela precisaria pegar a roupa do chão e levar novamente pro local onde estava.

Quase precisei colocar protetores auriculares...

Ela gritou tanto, mas tanto, que cheguei a temer que os vizinhos chamassem o conselho tutelar por pensar que nós a tivéssemos espancado!!!

Ela gritava e dizia que não iria pegar a roupa, e eu, simulando uma calma inexistente, insistia que enquanto ela não guardasse a roupa que atirou no chão, ela não iria a lugar algum.

Minha sogra, com um coração mole, chegou a dizer que eu estava sendo malvada, que ela estava nervosa e que era só eu dizer pra não fazer mais isso e guardar a roupa.

Discordo amplamente!!!!!!!! Uma criança de menos de 2 anos jamais vai registrar em sua cabecinha apenas que não pode fazer algo com base no diálogo.

Para que a Ana Clara aprenda, procuro usar sempre a premissa de que toda ação gera uma reação. Causa e consequência. Simples assim!

Ela fez algo que não deveria, precisou corrigir seu erro pra voltar a brincar e fazer o que quisesse.

Levei mais de 15 minutos até ter a roupa novamente no local que estava. Mas não me arrependo não...
Óbvio que pra mim seria bem mais fácil repreendê-la e guardar a roupa. Em segundos eu teria feito isso!! Mas com certeza eu voltaria a ter esse problema outras vezes.

Se eu sou teimosa? Não! Teimoso é quem teima comigo...

Perguntem-me quantas vezes mais a Ana Clara atirou roupas que eu estivesse passando pelo chão da casa? Nenhuma!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Brincando de educar

Acredito que todos os pais já perderam horas pensando se estão criando da melhor maneira possível os seus filhos. Comigo não é diferente.

Como muitos, trabalho o dia inteiro e com isso tenho pouco tempo pra observá-la e educar da maneira que acho que seria o ideal. O que seria minha tarefa, acaba ficando nas mãos de vovós, vovôs, bisa e titia, que são amplamente conhecidos como "pais com açúcar", então as vezes o estrago é inevitável.

Preciso então, fazer o possível no pouco tempo que passo com ela, para moldar a personalidade (se é que isso é possível) e transformá-la em um adulto com princípios e valores morais e éticos de acordo com o padrão que considero aceitável, pois sempre deixei claro (e isso é evidente a todos os que convivem comigo) que não tenho a mínima paciência com crianças birrentas e mal-educadas.

Minha filha tem hoje 2 anos e 7 meses, ou seja, está no auge da birra e da tentativa de auto-afirmação.

Ela sempre foi uma criança extremamente fácil de lidar. Nunca teve cólicas, nunca foi chorona, sempre dormiu a noite inteira e esbanjou sorrisos. Em uma comunidade do Orkut que eu participo as minhas amigas apelidaram a Ana Clara de "bebê sonho".

Embora muito "boazinha", ela tem uma personalidade forte e deixa isso claro pra todos que quiserem ver.

Ela sabe se impor desde bem pequena, demonstra muito bem quando não gosta de algo e quando se sente contrariada bota a boca no trombone... antes com choros comuns a crianças pequenas e agora, além de choro com lágrimas de crocodilo, preciso lidar também com seus argumentos muitas vezes bem convincentes...

De uns meses pra cá, com o tal terrible twos, ela vem demonstrando ainda mais o quanto educar uma criança é dificil, por mais compreensiva e obediente que essa criança seja.

Seguindo então a idéia de um dos dindos, criei o blog pra contar um pouquinho as minhas experiências na educação da Ana Clara, as reboladas que já precisei dar pra responder aos seus "porquês" intermináveis e também as dificuldades nas pequenas tarefas do dia-a-dia. Na esperança de trocar uma idéia com todos que lerem e se sentirem a vontade pra comentar, opinar e talvez até me dar um puxão de orelhas.

Cada vez que preciso repreendê-la por algum motivo, imediatamente penso que criar é fácil, difícil mesmo é educar!!!

Convidei minha amiga Dedra, mam
ãe do Bruno que tem 3 anos e 8 meses, pra me ajudar com o blog. Assim, teremos aqui a visão de uma mãe de menino e de uma mãe de menina, com todas as alegrias e dissabores que a maternidade proporciona...