terça-feira, 20 de julho de 2010

Explicações Técnicas

Hoje, estava na cozinha envolvida em meus afazeres domésticos diários e a AC vem ao meu encontro com voz chorosa, reclamando alguma coisa.
Pedi que ela falasse mais devagar.

Eis que surge o seguinte diálogo:
AC: "Mãe, o pai tilou o micofone de mim."
Eu: "Se ele tirou deve ter um motivo filha. O que acontecceu?"
Eis que me marido grita de outro cômodo da casa: "O microfone tá quebrado, tirei dela pra que ela não se machuque..."
Eu: "Viu filha, o pai tirou o microfone pra não te machucar, ele quebrou."
AC: "Mas mãe, eu gosto tanto daquele micofone. Eu quelo blincá com ele. Poquê o pai tilô ele de mim?"
Eu: "Filha, o papai tirou o microfone porque te ama e não quer que tu te machuque."
AC: "Poquê mãe?"
Eu: "As vezes os papais e as mamães fazem coisas que podem parecer ruins, mas eles fazem por amor. Tirar um brinquedo quebrado da tua mãozinha, pode parecer ruim, mas é uma coisa boa, pois evita que tu te machuque... Papai fez isso pq te ama, entendeu?"

AC saiu com uma carinha de quem não estava completamente convencida e foi procurar o outro microfone na gaveta e logo acabou brincando com outra coisa e esqueceu o motivo do chorôrô.

Mas vi que meu marido ficou rindo e fiquei pensando que talvez eu tivesse sido "técnica demais" na minha explicação.

Não costumo ignorar a inteligência dela. Sempre acho que ela tem condições de compreender qualquer coisa que se explique com calma (claro que estou excluindo da lista coisas tipo... sei lá... física quântica!) e é isso que sempre tento fazer: explicar tudo da maneira mais didática possível para que ela tenha um real entendimento do que está acontecendo.

Será que estou exagerando??

Ai! Como é difícil!!!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A hora das compras

Se tem uma coisa que eu sempre tive verdadeiro pavor, é daquelas crianças que ficam dando show dentro do mercado, pedindo tudo que enxergam pela frente.

AC sempre foi no shopping e no mercado comigo e com o pai, e é claro que sempre acabamos comprando alguma coisinha ou outra pra ela (uma bolachinha, um chocolatinho, um livrinho, alguma coisa escolhida por ela...). Mas sempre tomando cuidado pra não comprar nada "extravagante" sem ter real necessidade e sem ter um motivo/data especial.

Hoje, com a AC um pouco maior, evito ir a esses lugares com ela, quando vou fazer coisas apenas pra mim. Se vou comprar roupas pra mim ou pagar contas, prefiro não levá-la. Acho que shopping não é lugar pra criança e que ela não tem obrigação de me acompanhar no ritmo chato das lojas.

Quando vou com ela, vou fazer um programa PRA ELA. Vamos fazer um lanche, vamos olhar coisinhas pra ela, vamos correr, olhar vitrines de brinquedos. Ela adora e eu não fico me sentindo uma carrasca!

Claro que as vezes ela resolve pedir algo que sabe que não vai ganhar, e fica me testando até o limite! Uma coisa que ela sempre vê e pede são aqueles balões de gás hélio. Ela tem verdadeira adoração por aquilo, mas sabe que só vai ganhar o balão se não chorar e se não tiver escolhido alguma outra coisa.

As vezes ela entende e em outras, finge não entender... dia desses ela me pediu uma bonequinha com um chaveirinho. Dei, deixando claro que seria só aquilo e que não adiantaria pedir mais nada.
Logo depois, ela viu aqueles malditos balões e veio pedir. Conversei com ela, disse que ela já tinha ganhado da bonequinha e que não ganharia, portanto, o balão.

Bom, lá veio ela com toda a sua lábia, tentando me convencer que precisava do balão, que era uma boneca que estava em casa que queria brincar com o balão... no desespero, quando viu que eu não iria ceder, teve a brilhante idéia de sugerir que voltássemos na loja e devolvêssemos a bonequinha... é mole??

Com o coração na mão, não dei o braço a torcer!
Ela reclamou um pouco, ficou emburrada, mas acabou voltando pra casa com a bonequinha e não tocou mais no assunto.

Mas o que me levou a escrever essa postagem, foi uma coisinha pequena que aconteceu ontem no mercadinho próximo da minha casa.

Fomos até lá buscas ingredientes pra fazer o jantar, quando ela pegou um pacote de salgadinhos e veio direto na minha direção, perguntando: "Mãe, eu posso levá esse sagadinho?"

As pessoas que estavam próximas soltaram um sincronizado "wwwoooohhhhh" coletivo, e a moça do caixa disse: "Que coisa querida! Pedindo assim não tem como negar! Geralmente as crinças já pedem berrando e quando não ganham saem fazendo um escândalo maior ainda..."

Saí do mercadinho com o salgadinho na sacola e com o peito estufado de orgulho!